Paradesporto em Blumenau: a iniciativa em busca da perfeição 

Atletas, a idealizadora e a Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto percebem pontos de melhoria em meio a série de problemas.

Por Roselaine Bittencourt e Pedro Augusto

Suzana e José fazem parte de duas modalidades diferentes do paratletismo e, juntos, colecionam uma série de medalhas. Ela, é do arremesso de peso na categoria F46. “As principais medalhas que eu tenho foram no Open, em 2021 no Peru, que foi uma competição internacional, tem outras do Open Internacional que foi feito aqui no Brasil, na cidade de São Paulo”, explica Suzana.   

E José, é da corrida na categoria T47. “Eu tenho três medalhas de ouro no mundial de jovens em 2019, três medalhas de ouro no mundial escolar em 2022, e duas medalhas no mundial adulto de Paris 23, uma medalha de prata e uma medalha de bronze”, afirma o atleta. Suzana conta que ainda não possui nenhuma medalha em mundiais. “Eu ainda não tenho nenhuma medalha de mundial, nem de Paralimpíada, mas a gente está trabalhando para conquistar”.    

Além deles o paradesporto possui outros 350 atletas. Dentre eles está Evelyn Elbeks Maahs de Oliveira, de 15 anos, que joga bocha, e Maria Eduarda de Souza, a Dudinha, de 19 anos, que é da natação. Andréia de Souza é mãe da Duda e explica quando a atleta iniciou na natação. “A Maria Eduarda começou no paradesporto com cinco anos, em 2011. Na verdade, a princípio era só para uma parte terapêutica mesmo, por causa da questão respiratória”. Duda já conquistou 73 medalhas de ouro, 13 de prata e 7 de bronze. Já Evelyn, atleta de bocha, conquistou mais de 20 medalhas.  

Outra coisa que José e Suzana também possuem em comum é a pessoa de inspiração: “A minha referência no atletismo é o Petrúcio Ferreira, ele é o atual recordista mundial da classe T47, que é a classe onde eu participo”, enaltece José Alexandre.  

Para Suzana, Petrúcio também tem muita importância. “Ele é o atleta mais rápido do mundo, e ele já me deu várias dicas. Já conversei bastante com ele, a gente é bem próximo”, compartilha a atleta. 

Para a atleta Evelyn a sua inspiração é a Laissa Guerreira, que atualmente é sua adversária em algumas competições. “Eu consideraria mais como uma meta. Que daí seria chegar a poder um dia participar das Paralimpíadas Mundiais. Que daí eu me espelho praticamente nas meninas da seleção. Da minha classe, que daí é a Laissa”, comenta Evelyn.  

Algo em comum com Duda, que sua inspiração também é uma admiração pela sua adversária, que é a Fernanda Volgt. “Ela é campeã brasileira, ela já viajou para fora do Brasil. E assim, eu vejo a Maria e eu penso, meu Deus, a Maria um dia vai ser que nem a Fernanda”, explica Andréia, mãe da paratleta.  

Como os atletas são separados em suas classes e modalidades 

Os atletas do atletismo possuem uma letra e um número que representam as categorias/classes deles. Os números são equivalentes à deficiência e as letras são para identificar os atletas das modalidades nas provas de pistas e nas provas de campo. As provas de campo são identificadas pela letra F que vem do inglês Field (campo), e as provas de pista são identificadas pela letra T, no inglês Track (pista).  

Suzana é representada pela letra F e o número 46 e José leva a letra T e o número 47. “Como eu faço a prova de pista, sou da classe T47, se eu fosse do campo, como a Suzana, que é outra paratleta aqui de Blumenau, ela é F46, então já muda por conta que é o campo”, explica José citando a Suzana como exemplo.  

Assim como no atletismo a bocha também possui classes e são divididas em: BC4, BC3, BC2 e BC1. Na classe BC1 ficam os atletas com uma dificuldade maior de mobilidade, geralmente precisam de auxiliares para jogar durante a competição, por exemplo, para movimentar a cadeira ou até ajudar a alcançar a bolinha. O BC2 são atletas com paralisia cerebrais. BC3 pessoas com mobilidade ainda mais reduzida que o BC1. E o BC4 que é a classe em que Evelyn faz parte, são atletas que possuem deficiência física.

Quatro pessoas e o impacto do paradesporto em sua vida  

“Eu nunca quis trabalhar com a pessoa com deficiência”. Esta é fala de uma mulher que mudou tudo, mudou a vida de pessoas. Giselle Margot Chirolli, idealizadora do Paradesporto de Blumenau, soube na pele como é conviver com pessoas PCDs (Pessoa Com Deficiência). A mãe uma mulher atípica e o irmão com deficiência. “A história é muito engraçada porque com toda essa luta, esse sofrimento sentido na pele, que eu sempre tive na vida, eu nunca quis trabalhar com a pessoa com deficiência”, conta Giselle, sobre a criação do paradesporto.   

Mas a história mudou, quando com 15 anos de idade teve que dar aulas de tênis de mesa para um aluno com deficiência, seu primeiro paratleta. “Então, de uma certa forma, eu acredito que o paradesporto, ele me encontrou, só que eu já tinha isso dentro de mim, e eu entendi que essa era a minha grande missão de vida”, explica Giselle.   

Foi Graças a Giselle que José Alexandre conheceu sua inspiração. “Em 2018 o Petrucío veio em Blumenau me ver, porque eu estava querendo parar com o atletismo, ele veio me fazer uma visita a pedido da Giselle, e até então, depois dessa visita eu vi que o campeão mundial e campeão paralímpico estava aqui do meu lado, então eu pensei, ele está enxergando uma coisa que eu realmente não estou vendo”, relembra o atleta. 

Giselle reflete sobre a marca deixada que é lutar pela causa. “Quando as pessoas me agradecem, que o paradesporto mudou a sua vida, da família, e de toda uma sociedade, eu sempre digo que o paradesporto transformou a minha vida também”, afirma. 

A criação da Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto 

Com toda a força de vontade e objetivos que Giselle traçou, ela conseguiu alcançar o seu mais almejado sonho, a Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto (SEIDEP). José Alexandre Martins Da Costa, Suzana Nahirnei, Maria Eduarda de Souza e Evelyn Elbeks Maahs de Oliveira foram apenas quatro das 470 pessoas com deficiência que já tiveram o auxílio da SEIDEP. Para que a Secretaria estivesse de pé como está atualmente, Giselle passou por alguns desafios.   

Giselle explica como se deu a base de criação da SEIDEP: “Sempre teve três pilares muito fortes. A coluna vertebral: a política pública, a prefeitura, e paralelo a isso, duas outras vertentes muito importantes que foram a sociedade civil organizada e o terceiro setor, a iniciativa privada. Claro que outras vertentes como a universidade e a imprensa foram fundamentais”. 

Segundo a Giselle, foram estes princípios que fizeram com que o paradesporto de Blumenau tivesse efeito em sua criação. “Acredito que uma cidade foi transformada porque todos os setores da sociedade foram impactados e todo mundo começou a acreditar em conjunto na política pública do paradesporto e assim a gente começou a mudar o olhar da sociedade para a pessoa com deficiência”, complementa. 

A criação da SEIDEP foi a necessidade que Giselle sentia durante sua trajetória, a inclusão das pessoas com deficiência no cotidiano. “A gente transformou muitas vidas por meio do paradesporto. Fez enxergar mais longe e ter força cada vez mais”. E acrescenta: “As próprias pessoas com deficiência me dão força, me dão energia, que são a minha missão de vida e a razão de eu viver com toda certeza”.  

Por mais que o motivo da criação tenha sido da melhor intenção, a própria criadora não pôde dar continuidade de sua gestão, e ela e outros atletas percebem algumas dificuldades da atual direção da Secretaria na organização de recursos e atenção necessária para algumas modalidades.  

A opinião dos atletas pela SEIDEP 

José Alexandre e Suzana foram impactados por um problema em comum, a retirada de seu local de treinamento no SESI. Os dois precisaram traçar caminhos diferentes para garantir a continuidade dos seus treinamentos no atletismo e a partir do próprio bolso, Suzana treina em Pomerode, no Parque Municipal de Eventos e na Furb. E José se mudou para São Paulo, onde usa o Centro de Treinamento Paralímpico.  

“A gente não tem um local 100% oficial para treinamento aqui em Blumenau, nos deslocamos para a cidade de Pomerode, pelo menos três vezes por semana, para conseguir treinar num setor oficial e ter um treinamento adequado”, explica Suzana. A atleta ainda complementa sobre o SESI “A gente acabou perdendo o espaço, eles reformaram para o campo de futebol. A gente tira do bolso para deslocar para outra cidade e fazer outro treinamento”. 

Depois da perda do SESI, José começou como Suzana, se deslocando para cidades vizinhas., “A gente teve a perda da pista do SESI, que era o meu local de treinamento, mesmo que ela não estava em boas condições, mas era o melhor local que eu tinha pra treinar, acabamos nos deslocando para cidades vizinhas”, e o atleta desabafa: “A gente faz um treino, vamos até o nosso limite, às vezes ultrapassa ele nos treinos todos os dias. Pegamos uma hora, 45 minutos de estrada, se fosse dentro da cidade, tudo bem, mas temos que pegar a BR, e acordar mais cedo, tudo isso impacta diretamente no planejamento do treinador e no dia a dia do atleta. Acabei saindo de Blumenau não por dinheiro, mas sim por falta de estrutura”, lamenta José. 

A mãe da atleta Duda, Andréia, também comenta sobre a falta de um local adequado para treinar em Blumenau. “Eu acredito que assim, a gente tem mais opção, por exemplo, era para ter uma piscina aqui na Artex. Temos uma piscina ali de 50 metros, que é uma piscina semiolímpica, essa que tinha aqui. Só que, esvaziaram a piscina e segundo a gente teve informações, vão fazer um campo de futebol”, comenta Andréia. Ela ainda completa que a filha treina na piscina da Furb. “A piscina da Furb é ótima, é o que a gente tem. Só que é uma piscina de 25 metros. Aí eles chegam lá em São Paulo, e caem numa piscina grande”. 

Já a atleta Evelyn explicou que possui um local de treinamento. “Na Associação da Altona. É um ginásio bem bom. Eu gosto de treinar lá. Antigamente a gente treinava no Galegão. E agora a gente foi para lá. Mas é bem bom”. E completa: “Eles disponibilizam transporte, tanto para treinar quanto para as viagens. Sempre adaptado, almoço, durante as viagens, para quem treina e fica o dia inteiro também”.  

Evelyn e sua mãe falam que o único investimento que elas fazem, do seu próprio bolso, é a compra de bolas para bocha, que são importadas. “O kit de bocha ele é bem caro. A prefeitura, a SEIDEP, eles disponibilizam o material. Só que as melhores bolinhas são de Portugal, da Coreia, são importadas. Elas têm um custo bem caro. Então a bolsa serve pra isso. A gente vai juntando para conseguir comprar material melhor. Eles disponibilizam, só que aí, se a gente quiser uma coisa melhor, a gente investe”, explica Evelyn. 

A SEIDEP 

A Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto existe há 3 anos, e ajuda cerca de 350 atletas. Vale destacar que a SEIDEP apoia não somente atletas de rendimento, os que competem, mas também as pessoas que se interessam pelo esporte como estilo de vida e saúde. A Secretaria trabalha com outras frentes com o objetivo de criar uma vida mais acessível às pessoas com deficiência, com campanhas divulgadas pela cidade e projetos de inclusão.  

O paradesporto em Blumenau já existia antes da SEIDEP, são 12 anos de existência. E Segundo Maurício Pfiffer, coordenador do paradesporto na Secretaria, o apoio que a SEIDEP oferece para os atletas e demais pessoas que utilizam dos ambientes de treinamento, é ofertado pela Secretaria Municipal da Educação (SEMED) e pela Associação do Paradesporto de Blumenau (APESBLU), além de parcerias com instituições privadas com e sem fins lucrativos.    

Um exemplo do uso das ferramentas que a SEIDEP possui, são  as vans que foram conquistas antes da criação da Secretaria, mas que estão em nome da SEMED. Os veículos icu As vans foram adquiridas por meio do paradesporto. “Elas já foram conquistadas antes da SEIDEP. Em um projeto através do Paradesporto na época. Mas esse é um outro benefício que a Secretaria também dá para os atletas hoje”, detalha Maurício. Já os motoristas são contratados pela SEIDEP.  

Maurício comenta que a SEIDEP não possui tanta autonomia orçamentária, por ser recente, ela precisa de todo o apoio oferecido pelas outras entidades. “Na realidade, a maior dificuldade que a gente tem é que todos os professores que trabalham diretamente com a pessoa com deficiência, são contratados pela Prefeitura, mas aí é através da Secretaria de Educação, não é através da SEIDEP”, afirma Maurício. 

Sobre o questionamento de não criar um concurso próprio para professores da SEIDEP, Maurício explica: “Se fizermos isso, todos os outros benefícios que eles têm hoje como professor de educação física, eles vão perder. E daí deixa de ser vinculado como um professor regular de educação física. Ele vai entrar como um profissional, um técnico esportivo normal. E a gente sempre luta para não acontecer isso”.  

E sobre as condições financeiras da Secretaria, Maurício reforça: “até a própria SEIDEP hoje, com o orçamento que ela tem, jamais teria condições de pagar os quase 57 professores que temos no programa. Com o orçamento que a SEIDEP tem, não pagaria uma folha de pagamento”.  

Sobre as locações da SEIDEP, Maurício lembra que alguns locais não cobram aluguel.  

“Os espaços de treino são todos cedidos. A gente tem tudo parceria. E São distribuídos na cidade. Não só a parte do desenvolvimento motor, mas todas as outras modalidades também estão espalhadas na cidade”, aponta Maurício.  

O coordenador também cita exemplos de modalidades e seus locais de treinamento na cidade: “O goalball e a bocha paralímpica treinam na Associação da Altona. Nos cedem o espaço, não é cobrado nada da gente. A única que tem um custo específico ali é a modalidade de futebol. Atendemos também crianças com TEA, deficiência intelectual, síndrome de down, deficiência física”. 

Maurício comenta sobre o custo de uma das locações: “somos atendidos na Dark, no Bairro Fortaleza, na rua da Coca-Cola. Pagamos um valor, mas não é um custo muito alto, nem é um valor que ele iria cobrar se fosse utilizado por uma patota normal. Também ele faz um custo menor, que a gente utiliza muito durante o dia.  Temos só um treino com o nosso pessoal que trabalha. E aí é uma vez por semana só que a gente utiliza uma hora lá no espaço dele”. E completa: “Os demais são todos através de parcerias, em locais de treino específico. Tem a Bocha que treina numa igreja também”.  

Sobre o problema relacionado à piscina da Artex citado pela mãe da Maria Eduarda, que havia uma possibilidade de não ser mais utilizado o espaço, Maurício afirma: “Na realidade, a piscina da Artex nunca foi utilizada. Por nós, não”. 

A SEIDEP possui piscinas para uso dos atletas em outros espaços em Blumenau, na Itoupava Norte: APESBLU, Long Life e no Clube Guarani e a Universidade Regional de Blumenau (Furb) no Campus 1 na Itoupava Seca. A Secretaria também usa o espaço alugado pela Prefeitura no Clube Guarani não somente para os atletas. “O objetivo é qualquer criança, pessoa com deficiência que vá lá, a gente ensinar ele a nadar. Como a gente começa desde os seis meses de idade, o objetivo é tirar as crianças ali que possam virar atletas. E daí a gente transfere dali para a Furb”, explica Maurício. 

Na Furb, em especial, o treinamento é feito por professores que são contratados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, e é um centro de referência em Blumenau. Além disso, a locação é gratuita. “A gente tem um auxílio também do Comitê Paralímpico Brasileiro, que nos ajuda a descontar. Acho que são quatro ou cinco professores também que são contratados pelo Comitê. E eles nos fornecem alguma coisa de curso e material”, aponta Maurício.  

Questionado sobre os gastos de transporte para treinamento, Maurício enfatiza: “não é cobrado nem deslocamento para viagem, imagina para treino. Nós estamos treinando o atletismo em outra cidade, eles vão para Timbó. Não tem ninguém que vai direto, não, que eu saiba. Todos os nossos atletas ali que treinam o atletismo, eles vão até na sede”.  

Sobre os veículos para locomoção dos atletas, Maurício explica que a SEIDEP possui duas vans. “Na sede, a gente tem duas vans. E uma van ela não leva todo dia. Ela leva os dias que a gente conseguiu na nossa logística, até por causa da van, que ela tem mais modalidades que ela leva. Ela leva os atletas lá para Timbó, para eles treinarem na pista municipal. Por conta de não termos mais a pista sintética aqui em Blumenau”, destaca Maurício.  

Um local de treinamento em Blumenau que foi deixado de ser usado por alguns atletas é o SESI, localizado no Bairro Vorstadt, Maurício compreende que algumas modalidades perderam o seu acesso:  

“Mas o mais forte que nós tínhamos lá era o atletismo. Outras muitas modalidades também treinavam. Na realidade, os nossos atletas também não se interessavam por ser lá. Por causa da distância e transporte. E isso era uma dificuldade da utilização do SESI”, explica Maurício”.  

As modalidades que utilizam o SESI são: vôlei sentado, bocha paralímpica, halterofilismo e esporadicamente o atletismo. Quando chove, é usada a pista indoor pelos integrantes do atletismo.  

Com o SESI municipalizado em 2025, existe o objetivo de transformar o espaço com acessibilidade e a volta de mais atletas no local e até mesmo a SEIDEP ficar lá. “Faremos uma modificação no transporte, colocar mais ônibus. A ideia é que o ônibus tenha linha que entre lá no complexo do SESI, vá próximo ao ginásio, para facilitar esse deslocamento, principalmente para cadeirantes, que é o mais complexo, porque lá o chão é de paralelepípedo, é uma queixa deles”, Maurício explica uma das possíveis mudanças.  

Maurício também enfatiza que o espaço será disponibilizado para outras pessoas. “A intenção é que, o máximo que a gente conseguir levar de atletas, porque, na realidade, ele vai ser dividido com o convencional também, não vai ser exclusivo do paradesporto”.  

Os projetos já estão prontos para fazer as adaptações, dentre elas é a inclusão de elevadores. “Já tem os recursos disponíveis para serem instalados lá, da parte da academia, porque os cadeirantes não chegam, é tudo escada. Também do térreo até o primeiro andar, eu creio que a gente vai conseguir utilizar bastante ali o espaço”, detalha Maurício.  

A SEIDEP pressiona a Prefeitura para que seja feito o mais rápido possível a mudança de local e as reformas para o SESI. “Nós vamos para lá na hora que tudo estiver pronto. Já é uma pressão nossa, principalmente da secretária, ela já disse para eles: ‘eu só vou transferir a minha secretaria quando eu ver o SESI de acordo com o que eu estou solicitando’. Ela diz que a hora que tiver o elevador lá, então a gente vai de mudança para lá, se a SEIDEP for se mudar para lá. Esse é o objetivo, se realmente vai se concretizar eu não sei”.  

Orçamento da SEIDEP é uma luta constante 

No momento, apenas existe a ideia de mudanças na Secretaria, como mencionadas anteriormente pelo coordenador do paradesporto, o problema atual é principalmente o financeiro, além do local da SEIDEP. Um exemplo é o uso de um veículo da SEMED pela SEIDEP em casos de eventos específicos. “Se tem escolar, a Secretaria da Educação consegue também viabilizar, principalmente, o transporte. Conseguem nos ceder ônibus, porque dependendo do evento, a gente vai com delegação muito grande, que não cabe na nossa van”, afirma Maurício.  

Perguntado sobre a possibilidade de um orçamento maior, Maurício destaca: “A gente sempre luta para conseguir ampliar o orçamento. A secretária fica também bastante em função de buscar recursos através de emenda parlamentar, que é um outro sistema que busca recursos para se dar continuidade às atividades e para ampliar até as atividades”.  

Bolsa atleta 

O orçamento da SEIDEP é também destinado para a bolsa atleta, e uma dúvida que normalmente as pessoas possuem é como alcançar esse auxílio. Maurício explica como funciona para possuir o benefício: “A principal coisa que o atleta precisa é participar de competições. E ele tem que fazer resultado, igual a qualquer outra Bolsa Atleta. E é uma exigência que a gente tem hoje, que ele participe e faça resultado nos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc), que é a competição estadual. Essa é a principal coisa que a gente exige. E daí a gente faz todos os critérios, conforme há maior pontuação, há um atleta que vai para uma mundial, o atleta que vai, daí ele vai ganhando um pouco mais”.  

Maurício também comenta sobre uma nova conquista em meio ao orçamento enxuto, o aumento da Bolsa Atleta. “Através da SEIDEP a gente conseguiu até dobrar hoje o valor da nossa Bolsa, e a gente conseguiu contratar uma equipe multifuncional, que é uma psicóloga, então ela e uma fisioterapeuta, trabalham especificamente para atender nossos atletas. Essa foi uma conquista agora, recente”, afirma Maurício.  

Todos os atletas citados na reportagem possuem pelo menos uma das Bolsa Atleta.  

O que os atletas precisam  

Apesar dos benefícios atuais, os atletas falam de melhorias que poderiam ser feitas: ambos, José e Suzana gostariam que o município desse a devida atenção às suas modalidades.  

Suzana é direta no que deveria ser feito por parte da prefeitura: “Uma estrutura, né? A gente tem também a Bolsa Atleta, que é importante, que foi até dobrado o valor esse ano, agradeço muito a prefeitura, mas sem estrutura a gente não consegue treinar, a gente não consegue formar novos atletas, então eu acho que é o principal ter um local onde trabalhar. Para mim é um trabalho, então se eu não tenho um local para trabalhar, eu tenho que ficar me deslocando para outros lugares, e a gente não consegue formar novos atletas por conta da falta de estrutura”.  

José compreende que o espaço do SESI deveria voltar. “Eu acho que se Blumenau tivesse uma pista de atletismo como a gente tinha antes no SESI, muitos atletas não teriam saído da cidade. Quando a gente não tem uma pista adequada para treinamentos, acabamos tendo que enfrentar muitas lesões, e lesão é o maior medo e o maior pesadelo de todo atleta”, afirma o corredor.  

Já Andréia, mãe da atleta Duda, acredita que deveria ter mais professores. “De repente, mais professores, para a natação ali, porque a gente tem um professor só, o Jair. Ele é um excelente treinador, eu acho que a princípio pra gente, hoje, seria mais isso”, detalha Andréia.  

Para Evelyn e sua mãe o foco é divulgar o paratletismo em palestras, e em especial a bocha, que é o seu esporte. “É interessante a questão de palestras, já incluiria ali a mídia através dela tem muito mais chance de ter visibilidade. Eu acho muito interessante, só que às vezes que a gente foi, fomos mais por conta própria, do que tem um projeto para levar a gente. Então, acho que falta projeto nessa área”, defende Evelyn.  

Diante de reclamações dos próprios atletas e até mesmo da Secretaria, Blumenau ainda é uma cidade com seu projeto de acessibilidade para pessoas com deficiência em desenvolvimento.  

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