Muito além da fronteira: a trajetória de Isaac em busca de uma nova vida em Blumenau 

Deixando para trás sua casa e sua amada avó, um rapaz de 17 anos supera os desafios da imigração e constrói uma nova vida no Sul do Brasil.

Por Henrique Bona, Eduardo Rosa e Lucas Postiglione

Com apenas seis meses no país, o venezuelano Isaac Canario, de 17 anos, já alcançou uma estabilidade que muitos buscam por anos: endereço fixo e carteira assinada. Contratado pelo Grupo Breitkopf, em Blumenau, o jovem foi descoberto por meio do Projeto Pescar. Durante o processo, ele não foi avaliado pela sua nacionalidade, mas sim pelo comprometimento e pela vontade de aprender. O idioma, primeira grande barreira, foi superado rapidamente com muito esforço, provando para a empresa que o talento e o potencial de desenvolvimento não têm fronteiras.

A chegada a Santa Catarina — estado que lidera a contratação de estrangeiros no Brasil — é, no entanto, apenas o capítulo final de uma travessia que está longe de ser romantizada. A jornada de Isaac foi exaustiva e marcada pela escassez. Ele atravessou a Venezuela de ônibus, observando pela janela um país que deixava para trás, até chegar à fronteira em Pacaraima (RR). Lá, enfrentou dias de filas intermináveis sob o sol, alimentando-se do básico, até finalmente conseguir seguir viagem de avião e ônibus para reencontrar o pai em Blumenau, após seis meses de separação.

Porém, o peso maior dessa mudança não está no cansaço físico ou na adaptação a uma nova cultura, mas sim no que ficou para trás. Partir de Caracas significou abrir mão de uma vida inteira e afastar-se da avó, que o criou como uma segunda mãe. A distância, amenizada apenas pelas conversas diárias no WhatsApp, traz a dolorosa incerteza de quando — ou se — poderão se abraçar novamente.

Hoje, mais adaptado e com o português afiado, Isaac encara o novo emprego e a rotina com a maturidade de quem precisou crescer rápido. Como o próprio jovem relata, o nervosismo do primeiro dia de trabalho foi pequeno perto de tudo o que já enfrentou na estrada. O objetivo agora é olhar para frente: continuar trabalhando, apoiar a família e construir, dia após dia, a vida que sonhou quando decidiu deixar seu país.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *