Traje Típico na Oktoberfest paixão cultural e motor do comércio local 

Por: Ananda Socorro Rebello de Souza, Anthony Kauê de Oliveira Alves e Leonardo A. Vieira

A Oktoberfest de Blumenau é marcada pelo chope, pela música e pela tradição alemã. Parte importante da identidade visual do evento, porém, está nos trajes típicos usados pelos visitantes. Vestir essas peças vai além da possibilidade de conseguir meia-entrada nos pavilhões: é uma forma de participar da celebração e, ao mesmo tempo, movimentar a economia local. 

Para a gaúcha Lúcia Santos, de 46 anos, moradora de Blumenau, vir caracterizada é indispensável. Para ela, usar o traje é uma maneira de entrar no clima e se sentir parte da festa. Embora peças completas e bem elaboradas possam custar centenas de reais, muitos frequentadores consideram a compra um investimento que pode ser aproveitado por vários anos.

É o caso da enfermeira Denise Drosny, de 33 anos, que reaproveita o traje e troca apenas alguns detalhes a cada edição.  A relação dos visitantes com essas roupas também se reflete no comércio especializado. Em uma loja especializada em moda típica alemã, a procura exige planejamento ao longo de todo o ano. Segundo a estilista da marca, o ciclo de produção e venda tem características próprias: a fabricação começa muito antes da festa, enquanto as compras se concentram em um período mais curto. 

“O ciclo de produção e compra é algo muito particular. Trabalhamos o ano todo produzindo a coleção, depois o estoque e os clientes nos procuram para efetuar a compra em uma pequena janela de tempo que dura cerca de 40 dias. É um trabalho árduo e que fazemos por paixão!”, explica a estilista da loja. Além do volume de vendas, a valorização da autenticidade influencia a produção dos trajes. Em outra loja, as peças da linha Atelier são desenvolvidas com referências alpinas e da cultura germânica, respeitando as características dos trajes tradicionais alemães. O processo inclui desde a escolha dos tecidos e aviamentos até a finalização artesanal. 

Na linha feminina, por exemplo, as peças são cortadas e costuradas individualmente por Goretti Aparecida, costureira-chefe do Atelier. O acabamento inclui a aplicação manual de metais e fitas drapeadas, etapas que exigem tempo e atenção aos detalhes. Segundo a estilista, esse cuidado faz parte da identidade da marca, que também possui uma coleção em colaboração com a Oktoberfest de Blumenau. 

A procura por essas roupas envolve diferentes etapas, desde o trabalho das costureiras até a atuação das lojas especializadas. A produção antecipada, os ajustes e a comercialização ajudam a sustentar a atividade desses profissionais e fortalecem um segmento ligado diretamente à identidade cultural da cidade. Para quem frequenta a festa, o custo também entra na decisão de compra. A vantagem financeira da meia-entrada tende a ser mais significativa para quem participa de vários dias do evento, mas, para os apaixonados pela Oktoberfest, o valor do traje não se resume à economia no ingresso. 

Seja comprando uma peça nova, encomendando um modelo sob medida ou reaproveitando roupas de edições anteriores, vestir a tradição continua sendo parte da experiência de celebrar a cultura germânica em Blumenau. 

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